Leve a vida mais leve – por uma rotina mais organizada

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Depois de um breve intervalo para cuidar do meu baixinho dodói (teve uma leve estomatite), volto a me dedicar a um dos meus atuais prazeres, que é escrever aqui!

Foi uma semana bastante corrida, intensa, com o baixinho ficando em casa todos os dias. Ainda bem que a bisa estava aqui para me ajudar a dar atenção ao meu pequeno enfermo. O João é mesmo uma criança abençoada pois pode contar com o amor dos quatro avós e de duas bisas, uma materna e uma paterna. Este amor enorme que ele recebe da família, junto com o fato de, pelo meu lado, ser o único neto e único sobrinho, se reflete muitas vezes em presentes… MUITOS presentes!

Não posso reclamar, pois dentro do razoável, o pessoal sempre me pergunta sobre como presentear meu pequeno, pois respeitam (embora algumas vezes não entendam) a maneira como eu procuro educá-lo.

Esta maneira de viver e ensinar, que eu ainda estou descobrindo, me levou a fazer diversas novas escolhas, muito diferentes daquelas a que eu estava acostumada na minha vida pré-João… (nossa, quase não lembro dela! Rsrsrsrs)

A questão da sustentabilidade e do pensar no mundo que eu estou ajudando a construir para a geração do meu filho me fez refletir muito mais sobre a alimentação e as conseqüências das minhas escolhas para o Planeta. E, uma coisa levando à outra, mudar a alimentação para uma maneira mais ecológica, menos agressiva ao meio-ambiente me fez pensar na saúde e no que estamos colocando “para dentro” do nosso corpo! Como a quantidade de química que costumamos ingerir sem perceber modifica o funcionamento do nosso organismo e os resultados disso. Mais mudanças de hábitos – adeus aos alimentos muito processados!

E neste processo, hoje a tarde brincando com o pequeno começo a remexer seus brinquedos e me espanto! Nossa, quaaaanto brinquedo!! E pensar que eu já tive medo de que o João tivesse poucos! Ainda estou pensando em uma solução para aplicar o desapego sem traumas para ele e para mim… rsrsrsrs

E as roupas? Abri a gaveta dos calçados do meu filho e tive a triste percepção de que NENHUM sapato de inverno ainda serve (incluindo aí tênis, alpargatas, crocs, etc.)! Ao esvaziar a gaveta consegui encher duas sacolas com uns 30 pares!! E novamente me pergunto: precisa? Precisava? Eu acreditei que sim…

Da mesma forma como o corpo precisa de menos, a casa precisa de menos, a vida também precisa de menos! Leveza, leveza, leveza…

De quebra fica a facilidade na arrumação de tudo. Guardando somente aquilo que realmente se usa, sobra espaço para viver! Os armários ficam mais organizados e utilitários e isso leva a facilidade no dia-a-dia. Mais uma vez leveza!!

Armazenar coisas sem uso só aumenta o stress ao ter que organizar ou procurar por algo – vale aí o desapego daquilo que atrapalha a vida e atravanca a rotina.

Depois de conseguir manter somente aquilo que importa, vale utilizar algumas dicazinhas de organização para tornar a vida ainda mais leve e poder gastar nosso tempo com aquilo que realmente importa – nossos amores!

Organizadores

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São excelentes e ajudam mesmo na composição de prateleiras e gavetas. Mas, são caros e precisamos de muitos, então… porque não usar a quantidade absurda de embalagens que compramos diariamente???

Você já percebeu a quantidade de caixinhas, saquinhos, latinhas e vidrinhos que acompanham os mais variados produtos, de alimentação à higiene passando pelo vestuário??

Mesmo que eu não veja utilidade imediata para uma caixinha/latinha/saquinho, se for de material resistente e tamanho prático, guardo mesmo! Certamente acharei uma gaveta ou armário precisando de organização: botões, maquiagens, talheres, itens da despensa, papelaria, ferramentas… todos precisam de um lar! E se você for mais caprichosa ainda pode forrar com tecidos ou papéis estampadinhos de acordo com o armário ou ambiente: floral para o roupeiro, xadrez para a cozinha, bolinhas para a sala… fica um mimo e ainda ajuda a preservar o meio-ambiente gerando menos lixo!

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Vidros transparentes também ficam lindos com objetos coloridos em seu interior e são fáceis de limpar!

Então da próxima vez que um produto vier com aquela embalagem tão bonitinha, guarde, com certeza será útil mais tarde – o Planeta e sua casa agradecem.

Etiquetas

Etiquetar e identificar o conteúdo das caixas e potes também é muito útil. Especialmente daqueles que são pouco usados. Facilita na hora de procurar um item – imagina não precisar ficar abrindo caixa por caixa!

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As etiquetas podem ser de papel simples, plásticas e até de louza para giz… ou se o uso for constante, você pode simplesmente escrever direto na caixa! Capriche na letra e deixe bem visível.

Móveis utilitários

O mobiliário também faz toda a diferença na organização da casa. Estantes abertas, com prateleiras ficam ótimas para objetos organizados em caixas e contêineres. Já para papelaria, gavetas sempre são bem vindas.

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Os móveis podem e devem mudar de uso conforme a necessidade, e mudar de cara também!
Porque não revestir o criado mudo e assim transformá-lo em uma mesinha para a sala? E a estante de louças que vira um ótimo armário de brinquedos?

Inove e transforme tudo de acordo com a sua necessidade! Esqueça os preconceitos! E ao comprar móveis novos escolha aqueles que possam se adaptar aos mais diferentes usos.

Utilizar um móvel como expositor de uma linda coleção, além de decorar, ainda empresta a sua personalidade ao ambiente, como falei neste post . Esta coleção pode ser de bolsas, colares, garrafas… tudo o que traz prazer aos seus olhos e facilita o seu dia-a-dia.

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Cores e temas

Organizar roupas, louças, sapatos, livros, etc. por cor, tema ou tipo também torna mais ágil a escolha e de quebra dá mais vida aos armários e prateleiras.

Aqui em casa por exemplo, somos dois professores e temos MUITOS livros, então dividimos por assunto: os de arquitetura, design, arte e assuntos relacionados ficam no meu espaço de trabalho; os de comunicação, educação e temas afins ficam no escritório do marido. Na sala estão os de literatura e os mais bonitos para expor… e assim por diante. Na hora de procurar fica infinitamente mais fácil!

Papéis e documentos também podem seguir o mesmo princípio. Como não dá pra ficar procurando pastinhas e envelopes no dia-a-dia, estabeleço gavetas ou caixas para assuntos diversos como contas a pagar, recibos e contas pagos, manuais, documentos, bobagens… é só jogar ali assim que recebemos. No final do ano, ou quando a gaveta/caixa fica cheia, é hora de organizar nas pastas e envelopes do escritório! Simples e rápido!

Até mesmo a cozinha e a despensa podem ficar melhores com um pouco de organização. Que tal separar os alimentos abertos/em uso dos fechados? Pode ser em uma prateleira ou até mesmo em armários só para este fim – fazer a lista do supermercado fica muito mais rápido.

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A louça também pode ficar agrupada por tipo de uso, freqüência de utilização ou até por cor… muito bom na hora de arrumar a mesa! E melhor ainda se as toalhas, guardanapos e jogos americanos seguirem o mesmo padrão.

Se prestarmos atenção no quotidiano, perceberemos as mudanças que precisam ser feitas para facilitar a vida. E as crianças logo aprendem também!

Outro dia eu estava cansadíssima depois de um dia de trabalho e atividades de casa, então, ao ajudar meu pequeno a juntar os carrinhos que inevitavelmente ficam no chão da sala, coloquei na primeira caixa de brinquedos que vi (preguiça de procurar a certa – confesso!) e logo fui repreendida: “mamãe, aí são os dinossauros, a caixa dos carrinhos é aquela!”

E a bisa me contou que até ela já foi ensinada sobre o lugar certo de cada brinquedo! Acredito que isso aconteça porque, assim como facilita para mim, facilita para o meu baixinho saber onde estão seus brinquedos “fabolitos”!

Boa arrumação!

Beijinhos

* todas as imagens são do Pinterest

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Arquitetura da felicidade…

Arquitetura da Felicidade 1

Entre as minhas divagações noturnas, já na cama antes de dormir, costumo fechar os olhos e me fazer a pergunta: “como é a minha casa ideal?” e então, começo a imaginar cada detalhe do que seria a casa dos meus sonhos naquele momento da minha vida. Logo depois, comparo a casa dos meus sonhos com a minha casa, e vejo o que falta nela… um pouco de cor, mais quadros, mais espaço…

O que mais me intriga nas minhas divagações é que SEMPRE, eu repito, SEMPRE foi assim: a casa dos meus sonhos é a casa onde eu moro!

Pode parecer conformismo e/ou meu grande ego, mas é real, a casa dos meus sonhos é esta, cheia de vida, de cheiros, de objetos com que eu me identifico e me reconheço o tempo todo!

Assim, minha divagação noturna passa a ser, no que eu posso melhorar a minha casa, o que está faltando?

Tenho pensado bastante nisso ao ver as pessoas consumindo arquitetura ultimamente… vejo famílias sem tempo de curtir fazer arquitetura, sem tempo de participar do processo… e sem vontade. Vejo gente afoita por fazer a arquitetura acontecer no mínimo de tempo, sem conhecer direito quem vai usar, sem refletir suficientemente sobre sua vida, suas preferências, suas manias… o custo disso é uma arquitetura bonitinha, na última moda e impessoal, que poderia ser meu, seu ou de qualquer outra pessoa. Tipo showroom de loja sabe? Lindo, combinadinho e de ninguém.

Cadê a vida gente? Cadê a “bagunça”, as lembranças, os cheiros?

Cadê aquele detalhe pensado especialmente pra gente?

Cada vez que faço a minha arquitetura eu paro e analiso com muito carinho a vida de quem me solicita… entro na sua intimidade e um pouquinho na sua loucurinha (que de louco e de santo…). Faço uma “terapia arquitetônica” mesmo!

Do contrário, como saber que o empresário prefere escutar rádio enquanto usa o banheiro? E como imaginar que a advogada gosta de olhar suas orquídeas enquanto cozinha? E aquela profissional sisuda, que trabalha em meio aos homens e que gosta de fazer artesanato para relaxar? E até o cachorrinho que dorme no sofá… como resolver?

Na minha opinião é daí que nasce a arquitetura de uma casa… dos pequenos fazeres e quereres, de saber que aquilo ali é só seu, que tem a sua cara.

No final de tudo isso, é comum eu ouvir que a ideia toda foi sua, amigo morador, eu só “desenhei”…

E eu? Eu fico feliz da vida, porque ficou tão perfeitamente seu que poderia ter vindo da sua cabeça…

Então – por mais que possa me custar aqueles que não veem assim, aqueles que preferem o impessoal, o pronto, o rápido – eu levanto a bandeira da “slow arquitetura”, que é onde você vai viver lentamente a sua felicidade, construindo um dia por vez!

Como diz Alain de Botton em seu livro “A arquitetura da felicidade”, a casa é a guardiã da identidade de quem nela mora, e assim seus donos, ao longo dos anos, olhando ao redor lembram quem eles eram… e eu ainda complemento: para onde vão à partir dali.

Tenho certeza que eu não sou a única a acreditar na arquitetura assim: devagar e pessoal!

E porque não??

Beijinhos

Arrumando a casa… e a bagunça!

João pintando

Quando chega a noite, depois que o meu pequeno já adormeceu, começo a recolher os resquícios do dia… e aí vejo como a arquitetura muitas vezes deixa de se preocupar com os menores até que eles já estejam “bagunçando” o ambiente!

Deixa eu explicar: ando estudando muitas correntes e teorias sobre o desenvolvimento infantil e suas diferentes fases, e um das que eu mais gosto, me identifico e procuro aplicar com o João é Método  Montessoriano de desenvolvimento (só este assunto já daria um blog inteiro! Então para quem quiser saber mais www.brasilmontessori.com).

O que isso tem a ver com arquitetura? É que a teoria da Montessori, uma médica estudiosa do comportamento infantil no século XIX, prega a autonomia da criança nos ambientes em que vivem. TODOS os ambientes e não só na escola!

Por exemplo, no lar montessoriano a criança consegue se virar sozinha na maior parte das tarefas, como pegar e guardar seus brinquedos, ler seus livros, tomar água, comer frutas, se vestir, etc. Ah… aí está a arquitetura! Como fazer isso em uma casa “normal”, projetada para adultos e que normalmente não tem um espaço destinado somente à criança além do seu quartinho??

Aqui em casa tenho dois quartos (o nosso e o do pequeno) e o restante da casa é integrado. Sendo assim, o ambiente que mais usamos durante o dia e boa parte da noite são as salas e a cozinha… logo que o João começou a ter mais autonomia, quis passar a usar os mesmos ambientes que nós adultos, é claro! Aí começou a saga desta mãe de juntar brinquedos espalhados até a exaustão (e irritação, que ninguém é de ferro!). Além disso, percebia que ele tinha que me pedir ajuda na maior parte das tarefas cotidianas.

Foi aí que caiu a ficha e resolvi mudar algumas coisas aqui! E tem funcionado maravilhosamente bem!!

Como penso que meu filho tem tanto direito sobre a casa como eu e o Rafa, facilitei o seu acesso às coisas a que ele pode ter acesso…

Na sala, a mesa de centro e o móvel da TV agora são divididos com ele e seus brinquedos e livros. A estante é baixa e se prestou perfeitamente para isso… coloquei cestos e caixas com os brinquedos organizados por temas (carrinhos, de montar, bonecos, robôs, dinossauros, super-heróis, etc.) e ele consegue pegar sozinho os brinquedos que quer! E tchanam… a grande vantagem é que ele também entende a organização e passou a ajudar no guarda-guarda! Às vezes consegue até juntar sozinho! Esta organização por “tema” também fez toda a diferença, pois ele consegue entender que ao invés de tirar TUDO do lugar, tira somente aquele tipo de brinquedo que quer no momento, e antes de pegar outros, guarda os que não vão mais ser usados… maravilha, né mães??? E ele só tem dois anos e oito meses! Aprendeu rapidinho, foi só uma questão de pequenos ajustes na arquitetura aqui de casa.

Na sala de jantar, o cadeirão perdeu a mesa e agora ele consegue subir sozinho e comer na mesa junto com a gente! Isso fez a maior diferença para começar a comer com a própria mão.

No banheiro fica um banquinho onde ele consegue subir para lavar as mãos… meu próximo passo será o vaso sanitário – como adaptá-lo para que o João consiga usar sozinho.

O quarto dele ganhou uma caminha em que ele sobe sozinho e ainda estou adaptando o espaço para que ele possa ter acesso a todos os brinquedos. Mas já mudei suas roupinhas e sapatos para as gavetas e portas mais baixos, assim ele consegue pegar.

Outro dia estava arrumando a sala e pedi pra que ele levasse seus chinelinhos pro quarto dele… qual não foi minha surpresa ao ver que ele não só levou pro quartinho, como colocou certinho na gaveta dos sapatos?!?!?! Sem a mamãe pedir!! Uhuuuuu!!

O grande desafio é a cozinha, o que deixar ao alcance e o que e como proteger o resto???
É de pirar o cabeção!!

Por enquanto o que fica acessível para o baixinho é a água (que ele pode se servir) e algumas frutas lavadas (e as bananas é claro, não podemos ficar sem bananas!). Hoje por exemplo ele acordou, como de costume foi com o seu patinete me chamar… (sim, de patinete!) e depois veio na cozinha, pegou uma banana, descascou e veio para a sala comer! “Eu tava com fome mamãe!” – Ok filho!

Claro que para isso, para darmos esta autonomia a ele, precisamos abrir mão de uma série de coisas… até mesmo de certas conveniências que nos serviam mas tiravam a autonomia dele. Minha decoração das salas se resume a poucos itens que não são infantis, além dos objetos das paredes e livros. A estante da TV e a mesa de centro estão “decoradas” com caixas e cestos de brinquedos.

A TV por sinal virou objeto de decoração – como prefiro que ele brinque ao invés de ficar grudado na tela, ela fica lá… abandonada coitada!

Claro que dá pra casar a arquitetura de interiores com estas adaptações, é só usar a criatividade (ou contar com ajuda profissional, é claro! rsrsrs), o importante é que todos fiquem confortáveis e possam usar da melhor maneira o espaço mais gostoso que existe: a nossa casa! E de quebra os pequenos vão aprendendo a respeitar e cuidar das coisas que temos!

Beijinhos

Cinco quilos a menos na balança…

leveza

Esta foi a motivação final, o empurrãozinho que faltava pra eu me “animar” e escrever este blog (que eu queria há horas…)!!
Calma, eu explico: não este não é um blog de dietas, nem sobre malhação (nem a da academia, nem a da TV), mas pode ser sobre isso também…
É que a maternidade mudou tanto, mas tanto a minha vida, meu EU, meu mundo… que até eu mesma estou procurando me entender. Mas TODAS as mudanças foram para melhor: trabalhar menos, cuidar mais, estressar menos, sorrir mais, comer menos e melhor, me mexer mais… o resultado de tudo isso? Mais leveza! Na vida, na rotina, na minha arquitetura e inclusive na famigerada balança! (yeah!)
É um pouco de tudo isso que venho dividir aqui, minhas grandes paixões, ser mãe, ser mulher, ser arquiteta!! Espero que gostem!