Rose Mrie Muraro: a saga de uma mulher impossível

Uma grande mulher!
Texto de Leonardo Boff sobre Rose Marie Muraro, patrona do feminismo brasileiro.

Leonardo Boff

No dia 21 de junho concluíu sua peregrinação terrestre no Rio de Janeiro uma das mulheres brasileiras mais significativas do século XX: Rose Marie Muraro (1930-2014). Nasceu quase cega. Mas fez desta deficiência o grande desafio de sua vida. Cedo intiuíu que só o impossível abre o novo; só o impossível cria. É o que diz no seu livro Memórias de uma mulher impossível (1999,35). Com parquíssima visão formou-se em física e economia. Mas logo descobriu sua vocação intelectual: de ser uma pensadora da condição humana especialmente da condição feminina. Foi ela que no final dos anos 60 do século passado, suscitou a polêmica questão de gênero. Não se limitou à questão das relações desiguais de poder entre homens e mulheres mas denunciou relações de opressão na cultura, nas ciências, nas correntes filosóficas, nas instituições, no Estado e no sistema econômico. Enfim deu-se conta de que no patriarcado de séculos…

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Criando filhos para o mundo… qual mundo?

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Porque é tão difícil conciliar idéias de amor diferentes?

Acontece que se deu uma grande mudança por aqui, e os pensamentos já não são os mesmos, os costumes já se transformaram, e eu já acreditei nas minhas novas verdades momentâneas.

Quando se ama, há que se respeitar as vontades… mas e se forem tão desiguais?

Agora, o que eu quero pro pequeno João é tão diferente daquilo a que fui acostumada… parece mesmo tão distante, e também tão perto.

Às vezes sinto como se estivesse remando contra a grande maré do mundo… ensinando meu filho a ter calma e paciência, a prestar atenção, a ouvir, a respeitar o próximo, a ceder sua vez…

E volta e meia escuto: e a ambição? E o mercado de trabalho? O mundo é tão duro, como vai se defender?

Aí eu penso que a melhor preparação para a vida é amar viver, é valorizar aquilo que realmente importa para si e se respeitar. Penso que uma boa formação é aquela que te dá a certeza de que você pode ir, pode se aventurar, mas se quiser voltar, aqui está guardado o seu lugar!

Outro dia na pracinha fiquei observando a agressividade de algumas crianças da mesma idade ou um pouco maior que o João… meninos e meninas agressivos.

E de repente sou acordada dos meus devaneios por um menino grandinho quase subindo por cima do meu pequeno que estava na escadinha do escorregador. Meu primeiro impulso foi tirá-lo dali, mas me segurei e fiquei observando.

Meu amado filho desceu devagar os degraus e foi para o lado, deixando o outro menino subir correndo e escorregar. Perguntei o que houve e ele com toda a calma me respondeu: “deixei o menino passar na minha frente mamãe, ele estava com mais pressa!” E ao dizer isso, correu novamente em direção a escadinha, subiu e desceu pelo escorregador sorrindo.

Meu coração se encheu de orgulho e dei aquela olhadinha de canto para ver se alguém estava observando – não estava, que pena…

Observar o desenvolvimento do meu filho, sua independência, sua amorosidade, sua curiosidade com o mundo, sua saúde, seu desprendimento me fazem acreditar que sim, ele está sendo preparado para um mundo duro, para um mercado de trabalho cruel. Porém, não para ser mais um no cardume da vida, e sim para ser diferente e realmente mudar as coisas a sua volta para melhor. Acredito que estou preparando meu filho para ser feliz com o que faz e se realizar com isso, e assim, ser bem sucedido.

Pode ser que eu esteja realmente enganada, pode ser que ele não seja nada disso… eu sei e vou amá-lo da mesma forma… mas a educação tão diferente (e ao mesmo tempo tão parecida) que eu recebi me preparou para ser esta mãe que eu sou, e isso não pode ser assim tão ruim… pode?

Beijinhos

Feliz dia das minhas queridas…

amigas

Hoje, dia da mulher… poderia bem ser outro dia qualquer, mas hoje, justo hoje, meu coração se encheu de nostalgia. Saudades de um momento que nem sequer vivi, mas que povoa minha mente e meu coração há tempos, mais especificamente desde que engravidei lá longe, longe da família e de muitas amigas.

Este tempo que mora no meu coração é aquele em que as mulheres de uma aldeia, uma comunidade ou de uma família se juntavam para cuidar das outras, cuidar de seus rebentos, ensinar a ser mãe ou esposa, mostrar como é que se é mulher, como se concilia todos os nossos papéis. Estas carinhosas mulheres cuidavam umas das outras, amavam-se e protegiam-se… não vivi este tempo, na verdade não sei nem se existiu, mas ele está bem vivo no meu sentimento.

Quando começo a refletir sobre o meu tempo presente, minha realidade de “mãe-que-nunca-morou-perto-da-família”, começo a entender que de certa forma, minha aldeia está bem aqui presente, longe e perto de mim ao mesmo tempo!

A internet é minha aldeia, onde reencontro, mesmo que por segundos, todas (ou quase) as minhas queridas mulheres.

É pela net que recebo o carinho de mana e de bisa todos os dias, é aqui que acompanho e “aperto” os filhos das minhas amadas amigas, é onde reencontro a amiga de outro estado que admira Montessori como eu, onde acompanho a amiga de outro país que acredita na alimentação natural, onde “abraço” a querida que está na minha cidade natal mas nunca conseguimos nos encontrar, onde recebo o carinho daquela que está do outro lado do mundo, encontro a amiga de infância que tanto adoro e com elas troco idéias e sentimentos nada virtuais… minha aldeia está aqui, reforçando os laços que existem na minha vida! E quando nos reencontramos fisicamente, que festa!! Me sinto acolhida…

Porque meu mundo ideal seria bem menor e bem grandão ao mesmo tempo… pequeno o suficiente para que eu e minhas queridas pudéssemos nos reencontrar pelo menos uma vez ao mês, ou a cada ano… e seria grande o bastante para que pudéssemos viver todas as experiências que nos fazem ser quem somos!

Nesta dualidade de quereres é que vivo meu “ser mulher”, minha maternação, meu fazer. É aqui que construo meu mundo perfeito, ao lado de todas estas vizinhas que ganhei ao longo do caminho e que ainda vou ganhar. Aqui é o meu canto…

Enfim… (avisei que estava toda sentimental e nostálgica… rsrsrsrs) meu desejo neste dia das mulheres é que todas as minhas amadas mulheres, todas as mulheres da minha vida saibam como eu as amo e admiro e espero ansiosamente pelos nossos reencontros, mesmo por aqueles que nunca chegam…

Beijinhos no coração!

PS – desculpem se deixei um pouco de lado toda a significação política deste dia, mas… como eu já havia dito… hoje sou só coração!