Arquitetura da felicidade…

Arquitetura da Felicidade 1

Entre as minhas divagações noturnas, já na cama antes de dormir, costumo fechar os olhos e me fazer a pergunta: “como é a minha casa ideal?” e então, começo a imaginar cada detalhe do que seria a casa dos meus sonhos naquele momento da minha vida. Logo depois, comparo a casa dos meus sonhos com a minha casa, e vejo o que falta nela… um pouco de cor, mais quadros, mais espaço…

O que mais me intriga nas minhas divagações é que SEMPRE, eu repito, SEMPRE foi assim: a casa dos meus sonhos é a casa onde eu moro!

Pode parecer conformismo e/ou meu grande ego, mas é real, a casa dos meus sonhos é esta, cheia de vida, de cheiros, de objetos com que eu me identifico e me reconheço o tempo todo!

Assim, minha divagação noturna passa a ser, no que eu posso melhorar a minha casa, o que está faltando?

Tenho pensado bastante nisso ao ver as pessoas consumindo arquitetura ultimamente… vejo famílias sem tempo de curtir fazer arquitetura, sem tempo de participar do processo… e sem vontade. Vejo gente afoita por fazer a arquitetura acontecer no mínimo de tempo, sem conhecer direito quem vai usar, sem refletir suficientemente sobre sua vida, suas preferências, suas manias… o custo disso é uma arquitetura bonitinha, na última moda e impessoal, que poderia ser meu, seu ou de qualquer outra pessoa. Tipo showroom de loja sabe? Lindo, combinadinho e de ninguém.

Cadê a vida gente? Cadê a “bagunça”, as lembranças, os cheiros?

Cadê aquele detalhe pensado especialmente pra gente?

Cada vez que faço a minha arquitetura eu paro e analiso com muito carinho a vida de quem me solicita… entro na sua intimidade e um pouquinho na sua loucurinha (que de louco e de santo…). Faço uma “terapia arquitetônica” mesmo!

Do contrário, como saber que o empresário prefere escutar rádio enquanto usa o banheiro? E como imaginar que a advogada gosta de olhar suas orquídeas enquanto cozinha? E aquela profissional sisuda, que trabalha em meio aos homens e que gosta de fazer artesanato para relaxar? E até o cachorrinho que dorme no sofá… como resolver?

Na minha opinião é daí que nasce a arquitetura de uma casa… dos pequenos fazeres e quereres, de saber que aquilo ali é só seu, que tem a sua cara.

No final de tudo isso, é comum eu ouvir que a ideia toda foi sua, amigo morador, eu só “desenhei”…

E eu? Eu fico feliz da vida, porque ficou tão perfeitamente seu que poderia ter vindo da sua cabeça…

Então – por mais que possa me custar aqueles que não veem assim, aqueles que preferem o impessoal, o pronto, o rápido – eu levanto a bandeira da “slow arquitetura”, que é onde você vai viver lentamente a sua felicidade, construindo um dia por vez!

Como diz Alain de Botton em seu livro “A arquitetura da felicidade”, a casa é a guardiã da identidade de quem nela mora, e assim seus donos, ao longo dos anos, olhando ao redor lembram quem eles eram… e eu ainda complemento: para onde vão à partir dali.

Tenho certeza que eu não sou a única a acreditar na arquitetura assim: devagar e pessoal!

E porque não??

Beijinhos

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